Eremita Fra’Nicola

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Os eremitas são conhecidos como pessoas que vivem isoladas do convívio social, desenvolvendo a humildade, a caridade e a fraternidade. Isolam-se na busca de conhecimento interior, através de meditações, leituras, estudos filosóficos, práticas religiosas e até mesmo penitências a que se impõem. São característicos da antiguidade cristã, e a Idade Média está repleta de exemplos desta possibilidade de existir.
A Irlanda, no início da era cristã, deu impulso à vida eremítica, através dos monges que estipularam certas regras a esse estilo de vida. Na Itália, há variado exemplo de vida eremítica, ou vida em solidão.
Um dos locais mais visitados na Itália, por aqueles turistas que possuem a vontade de conhecer a vida de quem viveu privado de todo e qualquer luxo da vida social, dedicando-se ao isolamento, vida característica de muitos santos que abandonaram, por vezes, uma vida de abundância, para se dedicarem ao recolhimento interior, está localizado na Região de Abruzzo, em Teramo, mais próximo à região montanhosa de ISOLA DEL GRAN SASSO D’ITÁLIA. O local é conhecido como Grotta di Frattagrande, onde vivia Fra’NICOLA, o último eremita da região, muito querido pela sua vida e por sua obra. Por ser uma área de esplendor da natureza, com muitas cachoeiras e montanhas, o recolhimento se torna ideal, o que transforma o local em um exemplo forte de religiosidade, de ligação do homem a Deus, através da vida próxima à natureza, que tudo de necessário dá para a subsistência humana, sem necessidade de agredir o meio ambiente.

Eremita FRA’NICOLA from RevistaSP on Vimeo.

A denominada Grotta di Frattagrande, uma pequena habitação situada em Pretara, próxima a Isola del Gran Sasso, anexa a uma pequena igreja, quase que incrustada na rocha, foi construída pelo último eremita de Gran Sasso, que passava seus dias recolhido em meditação. Seu nome: Fra’NICOLA TORRETTA, nascido em Picciano (PE) no ano de 1803. Em 1825, abandona a vida abastada que tinha em família e se retira à vida de meditação nas montanhas.
Mas, sua vida não foi só dedicada à meditação, ao recolhimento e aos estudos filosóficos. Era muito procurado pelos habitantes da região e arredores para lhes dar conselhos sobre todos os assuntos. Recebia muitos livros que eram doados pelos moradores das regiões próximas, para se aprofundar em seus estudos. Ao se retirar em recolhimento, pressentiu um chamado e se propôs a restaurar várias igrejas da região montanhosa: San Nicola (frente à encosta Monte Corno); Santa Colomba; Santa Maria di Pagliara, e, por último a Igreja de San Cassiano, onde o eremita dispendeu muito tempo construindo um órgão, um presépio perpétuo e um dormitório para a sua permanência. E tudo o que fazia era com as suas próprias mãos, e absolutamente só. Fazia tudo, desde o reboco até a pintura.
Em 23 de fevereiro de 1886, morre o eremita, tendo sido encontrado caído, já sem vida, dentro da pequena igreja que ele mesmo havia construído, perto ao altar de entrada, e seus restos mortais foram depostos sob o órgão que construíra.
Após cento e dez anos, em 1996, um rito oficial de exumação ocorreu e os seus restos mortais foram trasladados para a sacristia da Igreja Paroquial de Pretara.
Para mais informações:
http://www.isoladelgransasso.it/eremi/eremo-di-fra-nicola/

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