Uma História vivida – Comandante Alfredo Pires Filho

Conhecido como “Um garoto da Revolução de 1932”, hoje um jovem de 94 anos, o Comandante Alfredo Pires Filho é casado com a Sra. Nair Brandão Pires, – a quem rendemos as nossas sinceras homenagens pela sua gentileza, sensibilidade, lucidez e jovialidade que mantém nos seus 92 anos -, e tem dois filhos – Luis Roberto e Maria Alice, netos e bisnetos. Esse casal é a prova de que ser jovem não é uma questão de idade, mas um projeto de vida, de integridade e amor ao próximo. Com hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, possuem muita alegria de viver. Ele sempre praticou esportes, foi nadador, e percorreu, a nado, o rio Tiete (que na época era limpo e com muitos peixes) em uma travessia de cerca de 7km, em 1938 – Travessia São Paulo com saída na ponte da Vila Maria e chegada no Clube Espéria.

O Comandante Pires participou da Revolução de 1932 como escoteiro da Tribo Piratininga, cujo diretor era o Professor Carvalho, que morava na Rua Barra Funda. Reuniam-se no Grupo Escolar Barra Funda.
Se faz sempre presente em sua mente a lembrança do assassinato, no dia 23 de maio, dos quatro estudandes – Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo -, cujas iniciais, M.M.D.C, deram nome ao levante de resistência paulista. Nesta ocasião, conta que estava na Rádio Record, que ficava no Centro da Cidade de São Paulo, na Praça da Republica, entre a rua Barão de Itapetininga com a rua 24 de maio, quando houve um grande tiroteio na porta da emissora.
Com as aulas suspensas naquele período, por causa dos confrontos, Pires começou a prestar serviços num batalhão do Exército comandado pelo capitão Bento Bicudo Neto. Trajando a tradicional roupa de escoteiro na cor cáqui, calça curta, meias três quartos, cinto de couro, Pires levava correspondências do batalhão, localizado na Rua Conselheiro Brotero, bairro de Santa Cecília, na zona oeste de São Paulo, para o Quartel General do Exército, situado na Rua Conselheiro Crispiniano, no centro, viagem que fazia de bonde, e também para a unidade militar de Quitaúna, em Osasco, na Grande São Paulo, trajeto onde utilizava o trem da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) – que ligava São Paulo a Sorocaba. Também levou ataduras para os hospitais Samaritano e Santa Casa.
Os envelopes das correspondências que transportava eram fechados e Pires não tinha ideia do que eles continham, mas hoje não tem dúvida de que pelas suas mãos passaram informações importantes entre os comandos do batalhão, onde prestava serviços, e as unidades para as quais levava as mensagens. Ele recorda que, enquanto as batalhas eram travadas, a vida na cidade de São Paulo continuava normal para os moradores. Não faltou comida, os empórios e armazéns se mantiveram abastecidos e as mulheres continuavam a se arrumar, especialmente para ir à rua Direita curtir as vitrines das lojas do Mappin Store, Sloper e Casa Alemã.
A Revolução de 1932, também denominada a Revolução dos Paulistas, e Revolução Constitucionalista, foi um levante, um movimento armado dos paulistas contra os governistas que defendiam o governo provisório e ditatorial de Getúlio Vargas, que governava o país sem uma constituição formal que delimitasse seus poderes, na tentativa de derrubá-lo e promulgar uma nova Constituição Federal. O conflito armado ocorreu entre julho e outubro do ano de 1932, sendo que os paulistas foram derrotados, tendo havido grande número de mortos entre os envolvidos na batalha, e várias cidades paulistas ficaram muito danificadas. Porém, não podemos falar só de derrotas. O movimento foi importante e é sempre lembrado por ter alcançado grandes conquistas políticas, tais como a nomeação do engenheiro Armando de Salles Oliveira como interventor do Estado e a promulgação, dois anos após, da Constituição de 1934, sem contar o fato de que a revolução trouxe um ganho social,
já que o combate uniu politicamente a população e contou com muitos milhares de voluntários.

A HISTÓRIA DA FAMÍLIA PIRES

A historia da família Pires começa no Brasil junto com a chegada de Pedro Álvares Cabral, cuja Nau era comandada por Luís Pires. Aportaram onde hoje é a cidade de São Vicente. A família subiu a serra e parou no seu topo, criando a cidade de Ribeirão dos Pires, que hoje é denominada de Ribeirão Pires. Casaram-se com as filhas do Cacique Piquerobim. Uma parte da família foi para Campinas e outra parte para Sorocaba, a parte de seus ascendentes diretos.
O Comandante Alfredo Pires Filho conta emocionado sua história de vida, e a emoção atinge o ápice quando fala de seu pai, Alfredo Pires, um advogado que, na época da Revolução, teve seu escritório de advocacia invadido e destruído, pois tinha como estagiário o filho de Ataliba Leonel, ex-senador pelo Estado de São Paulo e que era opositor do governo Vargas.
Seu pai ensinou-lhe desde pequeno o segredo da prosperidade. Dizia, sempre: “Filho, se você quiser colher, semeie”. E ele semeou.
Estudou no Colégio São Bento que foi invadido durante a Revolução Constitucionalista, porque os opositores souberam que lá havia armas escondidas e isso poderia significar que abrigavam no local uma resistência. Sua rotina diária era sair do Colégio São Bento, almoçar na casa de sua tia no bairro de Santana, e, após, escondido de sua família, ia ao Aeroclube de São Paulo, no Campo de Marte, para aprender a pilotar. Aos doze anos de idade, voou pela primeira vez em um avião planador, que era do CPP (Clube Paulista de Planadores). Iniciou o curso de piloto, para tirar seu brevê e, depois fez o curso de instrutor. Sua carteira de instrutor é de número 119 e sua carteira internacional é 34. Na época em que estava na Revolução, aos 12 anos, Santos Dumont, por quem nutria grande admiração, estava residindo no Guaruja.
Foi instrutor dos pilotos brasileiros que atuaram na 2a. Guerra Mundial, que iniciavam aqui no Brasil seus estudos sobre aviação e, depois, iam complementar nos EUA o curso para os armamentos das aeronaves.
Por esse motivo, é sempre lembrado e homenageado pelo Exército Brasileiro e Aeronáutica.
Foi amigo pessoal do grande e inesquecível Palhaço Piolin e de seu filho Ailor, instrutor que foi da 4ª turma de monitores do Aeroclube de São Paulo.
Lembra com carinho e saudade que o Palhaço Piolin tinha duas irmãs e eles moravam na esquina da Rua Apa com a Avenida São João, em um casarão.

Paulo Henrique Moreira Filho

Advogado / 2º Tenente R/2 – Exército Brasileiro

Márcia Regina Moreira

Advogada, Cientista Social,Formada pela PUC SP, Especialista em Direito Civil, com Pós-graduação pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – FADUSP.

Agradecimento Especial:

Comando Militar do Sudeste, General de Exército João Camilo Pires de Campos

mais informações nos sites:
(sociedade Veteranos de 32 -MMDC)
http://www.sociedademmdc.com.br/search/label/32%20na%20rede

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