Onde tudo começou

Considerada uma situação rara entre as cidades brasileiras, São Paulo procura manter vivo o local onde tudo começou – o Páteo do Colégio, com restaurações constantes de suas obras clássicas e de beleza incontestável, verdadeiros pontos turísticos que atraem visitantes de todos os lugares do mundo. 
A fundação da Cidade de São Paulo está diretamente ligada a batalhas, conquistas, invasões, dominação através da religião e da disseminação de costumes estrangeiros – marcas básicas da formação cultural de um povoado, mais tarde transformado em cidade, que se transmutou em megalópole, sendo hoje uma das metrópoles mais desenvolvidas do mundo. É por isso que a São Paulo que conhecemos é plural. Tudo aqui é em abundância, até mesmo os seus problemas.
Com os olhos no presente, olhando para o que ainda temos na Capital, sentimos o passado. Vemos a presença indígena não só nos remanescentes da tribo guarani que pedem esmolas ao redor da Catedral da Sé, nos índios de outras tribos, quase dizimadas, com características dos migrantes nordestinos que fogem da seca, da fome, da miséria e se instalam em favelas de bairros periféricos, e naqueles que permanecem no litoral paulista em condições de miséria, como também na pujança de sua alma indígena, viva na memória, quando recordamos da liderança do cacique Tibiriçá (o maioral, em tupi), o líder indígena mais importante de São Vicente, que prestou valorosa colaboração à colonização paulista ao se aliar aos portugueses, já que sua filha Bartira era casada com João Ramalho, náufrago português que o convenceu a ajudar Martim Afonso de Souza quando aqui chegou com sua frota e houve a tentativa indígena de expulsá-los.
Tibiriçá ajudou na construção do Colégio de São Paulo – hoje Largo de São Bento, com suas próprias mãos, época em que trouxe sua tribo para dar segurança contra ataques indígenas de outras tribos, a pedido dos jesuítas.  Por esta razão é tido como um dos fundadores da cidade e seus restos mortais estão na cripta da Catedral da Sé. 
A Cidade de São Paulo não mais enfrenta as invasões, como antigamente. Hoje, ela recebe, adiciona como seus e administra uma pluralidade de problemas, de todos os matizes, e uma explicação para essa força pode estar na presença ainda sentida do cacique Tibiriçá, que continua vigilante e dando proteção a essa metrópole que ajudou a fundar.
Muitos paulistanos ilustres consideram-se descendentes de Tibiriçá. Entre eles, o poeta Paulo Bomfim (http://www.paulobomfim.com) , que em seu livro 50 Anos de Poesia, declara: “(…) valeu a pena termos começado a existir lá naquele pedaço mais ocidental da Europa e aqui na taba de Tibiriçá, onde o amor começou a experimentar nações compostas de todos os sangues e todas as cores de pele (…)”.
Dra. Márcia Regina Moreira (cientista social, formada pela PUC/SP, advogada,  especialista em Direito Civil, com Pós-graduação pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – FADUSP) – especial para a RevistaSP.Fonte: Departamento do Patrimônio Histórico / Diário Oficial da Cidade de São Paulo de 13/04/2006 / Prefeitura da Cidade de São Paulo.

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