O Solar da Marquesa de Santos

Aqui fica uma homenagem à Marquesa de Santos, mulher de extrema elegância, exuberância, riqueza e muito prestígio político-social, que se dedicou, na velhice, aos pobres e doentes, tendo especial atenção com os estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, sendo os acadêmicos da velha academia seus grandes amigos, já que sua casa era o centro da sociedade paulista, que animava com seus saraus literários e bailes de máscaras.

Localizado na Rua Roberto Simonsen, 136, no Centro da Cidade de São Paulo, próximo ao Páteo do Colégio – marco de fundação da cidade – e à Praça da Sé, o Solar da Marquesa de Santos é um imóvel tombado, que faz parte do núcleo central do Museu da Cidade de São Paulo.

Construído no final do século XVIII pela união de 2 sobrados, feitos de taipa de pilão (técnica construtiva rudimentar, milenarmente utilizada, de paredes e muros, à base de argila (barro) e cascalho, sendo bastante resistente e utilizada em igrejas e construções de dois ou mais pavimentos), era conhecido como o Palacete da rua do Carmo, um bem histórico e raro exemplar de uma residência urbana do século XVIII.

Sofreu muitas reformas e adaptações, haja vista ter pertencido a vários proprietários e ter tido diferentes usos e funções, de acordo com a época, razão pela qual suas construções foram acrescidas por alvenaria de tijolos e por estruturas de concreto, alterando sua fachada e estrutura.

Consta do documento escrito mais antigo que o primeiro proprietário, documentalmente comprovado, do imóvel foi o Brigadeiro Joaquim José Marques Pinto de Morais Leme, que o adquiriu por pagamento de dívidas, em 1802.

A Marquesa de Santos (Maria Domitila de Castro Canto e Melo) habitou o imóvel entre os anos de 1834 e 1867, tendo adquirido o imóvel da filha do Brigadeiro Leme, já falecido à época. O local, uma residência aristocrática,  foi palco de saraus, bailes, encontros políticos e sociais.A Marquesa de Santos (título recebido em 1826) é sempre lembrada pelo seu relacionamento amoroso com D. Pedro I, que se iniciou em 1822, tendo sido rompido, definitivamente, em 1829. Juntos, tiveram 5 filhos (um menino natimorto (1823); Isabel Maria de Alcântara Brasileira (1824)-Duquesa de Goiás; Pedro de Alcântara Brasileiro (1825-1826), falecido antes de completar um ano; Maria Isabel de Alcântara Brasileira (1827)-Duquesa do Ceará, que faleceu com meses de idade, e Maria Isabel II de Alcântara Brasileira (1830/1896), que só teve o reconhecimento de D. Pedro I, às vésperas de sua morte.

Após seu rompimento definitivo com o Imperador, a Marquesa de Santos se une a um dos homens mais abastados da província – o liberal Rafael Tobias de Aguiar, com quem se casou em 1842 e teve 4 filhos.

Segundo o Departamento do Patrimônio Histórico, o Solar da Marquesa é considerado como o último exemplar de arquitetura residencial urbana do século XVIII.

Com sua morte, a propriedade da casa passou para seu filho, o Comendador Felício Pinto de Mendonça e Castro.

No ano de 1880, foi colocado em hasta pública e arrematado pela Mitra Diocesana, que instalou o Palácio Episcopal, introduzindo modificações no local, como a construção de uma capela e de uma cripta sob o altar-mor.É desse momento, provavelmente, a inclusão de características neoclássicas em sua fachada principal.

Em 1890 o sobrado passa a ser habitado pelos bispos de São Paulo, haja vista ter se transformado no Palácio Episcopal (sede da Diocese).

Em 1909, a empresa inglesa The San Paulo Gás Company Limited, que detinha o monopólio de fornecimento de gás para a cidade, passou a utilizar o sobrado, após tê-lo adquirido, como sede da empresa e loja de fogões a gás.

Na década de 1930, a empresa acrescentou nos fundos do sobrado uma construção de 5 andares, que lhe serviu de escritórios, chegando a alterar a fachada e a cobertura original. Acrescentou, também, no térreo um jardim em estilo colonial.

Essa ocupação durou até 1965, data em que a companhia de gás encerrou suas atividades.

Em 1971, o imóvel finalmente foi tombado pelo Estado, ou seja, considerado um bem a ser preservado, foi inscrito no Livro Tombo, graças à sua importância histórica e arquitetônica, passando a denominar-se Solar da Marquesa de Santos.

Incorporado ao patrimônio municipal, em 1975 abrigou a Secretaria Municipal de Cultura.

O Solar se deteriorou muito, pois não houve o cuidado devido com a manutenção e sua recuperação começou em 1991 pelo Patrimônio Histórico, época em que também foi tombado pelo Município, sendo que em 1992 foi reaberto para visitação pública, integrando o acervo de Casas Históricas sob a responsabilidade do Município de São Paulo que, novamente irá, em data próxima, proceder a uma nova restauração, retomando movimento pela sua total recuperação.

A Marquesa veio a falecer em 03/11/1867 de enterocolite (inflamação do intestino, que provoca cólicas, diarreia, vômitos e muito mal estar, podendo ser adquirida por uma virose ou bactéria por intoxicação alimentar), sendo sepultada no Cemitério da Consolação, terras que foram doadas por ela.

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